Frase do Dia

“Eu acho que temos uma noção errada do que é um filme comercial, intelectual ou artístico porque todos os filmes são comerciais. Quando você vai ver um filme do Jean-Luc Godard, você paga o mesmo preço. E acredite, ele ganha muito mais dinheiro com seu pequeno filme que custou 1 milhão do que muita gente. Duas pessoas conversando numa cozinha por duas horas, em preto e branco, onde você diz ‘Oh! É tão artístico’. Na verdade é um filme muito comercial porque custou quase nada.” (Luc Besson)

Adeus, Sidney Lumet

All I want to do is get better and quantity can help me to solve my problems. I’m thrilled by the idea that I’m not even sure how many films I’ve done. If I don’t have a script I adore, I do one I like. If I don’t have one I like, I do one that has an actor I like or that presents some technical challenge. ” (1924-2011)

E assim fez elegantemente até seus 86 anos.

(leia sobre seu último filme aqui)

Ossos quebrados por Steven Seagal

Uma compilação relaxante de todos os ossos quebrados por Steven Seagal em sua filmografia. Mestre da atuação minimalista (veja  seu método aqui), Seagal fo meu herói na infância e responsável por intermináveis momentos de catarse.

Compartilho vários desses momentos com vocês

25 Anos da Pixar

Lindo demo reel da maior fábrica de mágica e sonhos do mundo.

Construção de personagens maravilhosos, apresentação de mundos fantásticos, conflitos épicos, grandes esperanças , comoventes redenções e música apelativa pra emocionar no final (Hoppípolla do Sigur Rós, até eu já apelei com ela).

Meu sonho ainda é trabalhar na Pixar.
Ou ter um demo reel desse naipe.

Objetos Famosos de Filmes Clássicos

Objetos Famosos de Filmes Clássicos é um passatempo legal de tentar adivinhar o filme através do objeto, que nem jogo da forca, criado pelo designer sul-coreano Ji Lee. Sim, em inglês.

Na minha primeira brincadeira acertei 84 e errei 17.

Viciante.

Bolão Oscar 2011

Chegamos a mais um Oscar. E com ele mais um bolão recreativo. Quem quiser pode postar suas apostas no comentário e depois negociamos uma aposta.

Aqui vão minhas apostas e algumas torcidas:

Melhor filme

O Discurso do Rei

Melhor diretor

Tom Hooper – O Discurso do Rei

Melhor ator

Colin Firth – O Discurso do Rei

Melhor atriz

Natalie Portman – Cisne Negro

Melhor ator coadjuvante

Christian Bale – O Vencedor

Melhor atriz coadjuvante

Melissa Leo – O Vencedor

Melhor roteiro original

O Discurso do Rei

Melhor roteiro adaptado

Toy Story 3

Melhor longa animado

Toy Story 3

Melhor filme em lingua estrangeira

Biutiful

Melhor direção de arte

Alice no País das Maravilhas

Melhor fotografia

O Discurso do Rei

Melhores efeitos visuais

A Origem

Melhor figurino

Alice no País das Maravilhas

Melhor montagem

A Rede Social

Melhor maquiagem

O Lobisomem

Melhor documentário

Trabalho Interno

Melhor documentário em curta-metragem

Strangers no More

Melhor curta-metragem

The Crush

Melhor animação em curta-metragem

Day & Night

Melhor trilha sonora

Como Treinar o seu Dragão

Melhor canção original

We Belong Together – Toy Story 3

Melhor edição de som

Incontrolável

Melhor mixagem de som

A Origem

Bansky e o Oscar

Traduzido livremente do site EW

As corporações gostam de controlar as coisas (está em sua natureza) e a Academia de Ciências e Artes Cinematográficas tem um jeito de pensar e agir exatamente como uma corporação: como uma força política organizacional da pompa e gosto de Hollywood. Mesmo assim ainda foi um pouco surpreendente quando a Academia mostrou suas garras para Bansky. Ele é o super secreto e misterioso mago fora da lei da arte das ruas. Ele é o infame grafiteiro britânico (e agora cineasta) que utiliza imagens pop como se fossem bombas cartunescas.

Grande parte do charme de Bansky é que ninguém sabe quem ele é. Um palhaço de guerrilheiro, um superstar underground que vive e trabalha nas sombras. Quando ele finalmente aparece em Exit Through the Gift Shop, o emocionante  documentário que ele dirigiu ano passado, é mostrado somente sua silhueta, como um assassino encapuzado em um programa policial de “Mais Procurados”.

Deve ser pelo menos o homem mais procurado no show business.

Mas a Academia não quer bem ele. Exit Through de Gift Shop é um dos cinco concorrentes na categoria Melhor Documentário e umas semanas atrás representantes de Bansky fizeram um simples pedido para a Academia. Eles disseram que se o filme ganhasse, Bansky gostaria de receber o prêmio sem revelar sua identidade. Isso pode significar que ele pode vestir um disfarce como uma máscara de macaco que dizem que ele usa em público. Ou, é claro, ele pode fazer alguma coisa ainda mais estranha.

O Oscar recusou seu pedido. Um diretor executivo da Academia, Bruce Davis, falou: “O cenário divertido, porém perturbador, é que se o filme vence e sobre 5 caras com máscaras de macacos no palco, todos dizendo: “Eu sou Bansky”, para quem diabos nós damos o prêmio?”

Quem diabos mesmo? O que os deuses da estatueta dourada fariam? Como a noite de premiação vai poder continuar!?! A palavra que Bruce Davis usou como desculpa é perturbador. Sim, é verdade que se Bansky ganhar pelo Exit Through the Gift Shop e cinco caras com máscaras de macaco subirem no palco para receber o prêmio será um momento esquisito e confuso que provavelmente todo mundo comentaria entusiasmado nos dias seguintes. Mas perturbador?? Eu suspeito que o que realmente perturba a Academia é o medo de Bansky ganhar o Oscar e de repente fazer do palco da cerimônia uma tela performática-eletrônica e poder fazer algo muito mais provocativo e ousado que aparecer no palco com máscara de macaco. Em um dos momentos mais divertidamente subversivos do Exit Through the Gift Shop, ele visita a Disneylandia e escala cercas para pendurar manequins com uniformes laranjas dos prisioneiros de Guantanamo com um capuzes pretos de carrascos em vários pontos estratégicos. As reações dos espectadores encarando aqueles corpos desfigurados enquanto o trem continua passeando pelo reino da fantasia, é impagável. É vintage Bansky: Um ultraje com mensagem, algo que você quase não consegue segurar a risada (ele trata seu didatismo como um brinquedo).

Sim, é o tipo de coisa que transforma patrocínios de TV ao vivo em geléia. Os produtores da transmissão dos prêmios da Academia provavelmente acham que se um potencial vencedor do Oscar é, por natureza, tão espontâneo e imprevisível que ninguém nem faz idéia quem ele seja, isso significa apenas uma coisa: Ele e incontrolável. E falta de controle significa… O que? Talvez outro momento como o mamilo de fora de Janet Jackson no Super Bowl (será que estão com medo que Bansky mostre o seu mamilo??). Ele não vão arriscar e Bansky, mesmo se vença, não vai aceitar seu prêmio. O acordo atual é que Jamie D´Cruz, o produtor do filme, aceite o prêmio por ele.

Você deve estar achando, e eu também, que a Academia está sendo muito grosseira e sem espírito esportivo com Bansky. Afinal de contas, caso Exit Through th Gift Shop realmente vença (eu acho que quem vai ganhar é o que menos merece, mas politicamente correto, Inside Job), ele simplesmente vai querer preservar o seu anonimato que é fundamental para sua mística como artista, ou botando em termos Hollywoodianos, sua marca. Ainda assim o que mais me aflige nessa decisão é como ignorante e injusta a Academia está sendo… consigo mesma. Os executivos da organização acham que estão fazendo controle preventivo, mas o que eles realmente estão fazendo é explodir uma rara oportunidade. Porque uma pequena dose de Bansky é exatamente o que Hollywood e a Academia precisam. É exatamente o que o médico receitou para curar uma cerimônia moribunda.

Bansky, de fato, tem se aquecido para a noite do Oscar. Rumores dizem que ele está atualmente em Los Angeles, e tem deixado sua marca em vários outdoors, incluindo esta do Charlie Brown com um cigarro e gasolina pintada na parede de um prédio incendiado e em ruínas na Sunset Boulevard. Eu não tenho certeza se essa imagem se qualifica como “perturbadora”, mas eu certamente considero showbiz inspirado.

Este é o lance com o Bansky. Ele pode ser um garoto malvado, mas péra lá! Ele só quer brincar, provocar e divertir. Essas campanhas da cerimônia do Oscar que mostra os dois apresentadores, James Franco e Anne Hathaway, brincando e improvisando seus ensaios para a cerimônia, dão um ar de uma “noite respeitável”? Que nada! Ao invés disso promete uma cerimônia mais leve, espontânea e divertida, que ninguém esperava. Mas se os produtores do show e a Academia estivessem realmente compromissados com o espírito da espontaneidade, eles teriam dado a chance de Bansky ser Bansky.

Quem sabe ele ponha fogo na noite.

Good Bye, Uncle Leo

Len Lesser (1922 – 2011)

 

Hello, Jerry!

“Como Treinar o seu Dragão”

Não canso de soprar por aí minha admiração pelo Toy Story 3, provavelmente a melhor animação dos últmos anos. Vai ganhar o Oscar ( não que isso importe), mas depois de assistir Como Treinar o seu Dragão, nova animação da Dreamworks baseada no livro homônimo de Cressida Cowell, fiquei na torcida para ele então vencer o Oscar de melhor animação e o Toy Story 3 o de melhor filme e roteiro.

A diferença entre a Pixar e a Dreamworks (e outras concorrentes) está cada vez mais estreita. E felizmente estão nivelando por cima. A Pixar ainda tem um corpo de vantagem pela técnica e pelos seus roteiros adultos e genuinamente emotivos. Então quem não tem coelho, caça com lebre, certo (ou com um dragão banguela)?

A estrutura do roteiro de Como Treinar…, por exemplo, é bem batida. Hiccup (Soluço), rapaz diferente, rebelde e talentoso busca ser um viking matador de dragões para ter a aprovação do pai, grande guerreiro viking matador de dragões. Claro que ele vai descobrir um talento que não é bem o que ele e seu pai esperavam, mas no final seu talento vai salvar o mundo e mudar a forma como as outras pessoas mais ortodoxas vêem as coisas. Ele claro que vai precisar de ajuda para tal façanha. Seu rito de passagam para a vida adulta vai se dar com a ajuda de um dragão, Toothless (Banguela) que também não abençoado pela natureza (tem um “leme” da calda faltando) não consegue voar direito,  vai precisar de seu potencial algoz para sobreviver e voar. Simbiose clássica numa amizade entre opostos que têm que aprender a lidar com suas idiossincrasias. Mas funciona que é uma beleza quando bem feito, como nesse caso.

Tem influência clara de Procurando Nemo e Tá Chovendo Hamburguer, só pra citar fontes mais recentes. Para compensar a mesmice na narrativa, os produtores compensaram com muito coração. Pegaram uma fórmula fácil, mas contextualizaram a história no bravo mundo dos vikings, que caçam dragões com a frieza de hábito como pescadores pescam, o que por si já rende ótimas possibilidades de gags e cenas de ação.

Como treinar… me remete aquela frase de Godard “Não é de onde você pega as coisas, e sim para onde você as leva”. Tudo tem gostinho de já vi isso antes. Mas o filme pode se gabar de ter cenas espetaculares, diálogos inspiradíssimos, relação de personagens bastante críveis, honestidade e muito coração na forma de fazer seu emaranhado de deja vus.

As escolhas estéticas poderiam ser melhores em momentos mais sombrios e tensos, podendo ser menos infantilizadas. Mas até aí tudo bem, imagino que o público alvo da Dreamworks é umas duas décadas inferior ao da Pixar.

Interessante como resolveram as questões dos sotaques dos personagens. Pois uma coisa recorrente e meio irritante é ver em filmes hollywoodianos que se passam em outras épocas e universos o uso de sotaque britânico como se a pompa dele desse uma classe e legitimidade à representação desse mundo. É só lembrar de Cleópatra, Alexander, Tróia, Duelo de Titãs… (náuseas). Mas então como representar pela fonética universal em um universo nórdico (alguém conhece o sotaque viking??) que faz parte do passado e ainda misturado com lendas de dragões, cujos personagens são todos uns fanfarrões incosequentes? Fácil. É só utilizar a imponência do sotaque britânico, mas cair para os representates mais impávidos e dementes da terra da rainha utilizando o seu sotaque escocês! Mas, só em alguns personagens. Infelizmente os jovens tem sotaque americano. Felizmente Gerald Butler e Craig Ferguson estão inspiradíssimos, aparentando até estarem bêbados dublando, como bons escoceses. Ah, e tem de ver em inglês, claro. (Quase) Nada contra dublagens, mas uma sacada brilhante relacionando às palavras “pests” e “pets” no monólogo inicial e final do filme faz toda a diferença.

Parece uma coisa meio óbvia até, mas uma das fórmulas para se fazer um bom filme é você conseguir contar um história (ou cenas) sem apelar para o artifício da oralidade (Wall-E que o diga). As melhores cenas do filme são as de silêncio. A relação de Hiccup e Toothless  é retratada quase sem fala alguma (ainda bem que os dragões nesse filme não são falantes, cruzes). O balé cinematográfico desses dois seres que precisam um do outro para sobreviverem é tocante (a cena final é desconcertantemente forte). O silêncio entre pai e filho, quando o pai declara empolgado que agora que Hiccup é enfim caçador de dragões como ele agora devem enfim ter assuntos para conversar, é seguido de um silêncio constrangedor. Genial retrato do conflito de gerações.

É interessante também reparar na mensagem política-social. Os dragões são tratados pelos humanos como pestes apenas porque ao invés de tentar entendê-los é mais fácil atacá-los. E o dragão-rainha que obriga todos os dragões a alimentá-la constantemente pode até ser um libelo contra o comunismo fantasiado de monstro em filme juvenil, mas não chega a incomodar, asism como o comunismo também não. O filme tenta ilustrar que, assim como na vida real, tudo seria mais fácil se todos tentássemos nos entender, nos comunicar, nos respeitar. Mas claro que assim como na vida real essa lição só é aprendida da forma mais grosseira possível.

“Como Treinar o seu Dragão” - Eu altamente recomendo!

Que venham as sequências!

Frase do Dia

Eu sou mais feliz quando estou rodando um filme. Filmar é como sexo. Escrever o roteiro é como sedução, então dirigir é como sexo porque você está fazendofilme  com outras pessoas. Editar é como estar grávido. Então você dá a luz e eles tiram o seu bebê de você. Depois desse processo, eu assisto o filme mais uma vez com uma audiência pagante que não sabe que eu estou lá. Daí então eu nunca mais iriei assistí-lo. Eu fico farto disso. Jim Jarmush

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