Dark Knight – Número 1 do IMDB???


Absurdo. O Poderoso Chefão já não é mais o filme melhor pontuado entre os usuários do IMDB, maior banco de dados de cinema no mundo. Exagero. Se O Poderoso Chefão não é o melhor filme da história, Batman – O Cavaleiro das Trevas é muito, mas muito menos. Apesar dos recordes de bilheteria sendo batidos (se bater o do Titanic eu nunca mais escrevo sobre cinema) é lógico que é um filme longe de ser um clássico. Pra isso o filme tem que ser maior que uma polêmica e muito resistente ao tempo. Só o tempo dirá.

Pra quem quer argumentos pra falar bem do filme, ele é sim, acima da média para um filme que fala de um maluco vestido de morcego perseguindo outro de palhaço (imagino David Lynch considerando uma premissa dessa para um filme). Bem fotografado, direção segura, produção voltada ao realismo e um Heath Ledger sem rédeas que rouba todas as cenas em que aparece (nem entro no circo armado em torno da morte dele pois o filme merece um pouco mais do que essa visão sensacionalista). Apesar de longo o roteiro é bem amarrado (não necessariamente verossímil) e o final só não é mais pesado pois fica a sensação de que haverão outros por vir e assim consertar o destino trágico do homem morcego mas necessário para a sua própria definição de herói (O Império Contra-Ataca me vêm à mente). A grande sacada dessa retomada da franquia foi relacionar o herói com os vilões como um decorrente do outro. Gothan ganha um justiceiro psicótico e a contrapartida é o surgimento de vilões piores. Nesse caso o Coringa fascina pelos métodos insanos, motivações anarquistas e por isso seus passos sempre indecifráveis ficam a frente da polícia. É uma força do mal que chega pra desestabilizar o sistema, como o personagem de Javier Bardem em “Onde Os Fracos Não Tem Vez. Ambos provocam o caos e servem bem para a humanidade como exemplos de que nunca podemos subestimar a maldade e que nem toda desgraça pode ser explicada pela obra de Deus ou pela porta dos fundos da civilização. Afinal o que seria do terrorismo sem a sua imprevisiblidade e uma “Amoral” perturbadora? E como o cinema, assim como qualquer obra de arte, por mais que retrate um mundo ficcional sempre vai ser um reflexo da sociedade a qual o autor está inserido. Pelo menos ganhamos assim filmes de ação bem intessantes nos dias de hoje. Taí: marketing saboroso, produto que corresponde às espectativas, subtexto para “pensar” e satisfação garantida do consumidor.

Agora minha parte favorita… Pra quem gosta de ser do contra e falar mal das unanimidades burras. O que mais limitou o potencial do filme foi a escolha covarde e babaca da Warner em querer que o filme pegasse o PG-13, censura para 13 anos de idade. Fica constrangedor um filme de tamanha violência psicológica não ter uma gota de sangue. Não sou hemofágico, mas ficou ridículo e perdeu a tal da credibilidade artística. Alguns diriam: “Ah, mas e o poder da sugestão? Veja o Tubarão, do Spielberg”. Sim, Tubarão sugere bastante e cria uma tensão perturbadora mas na hora do pau ele é catarticamente bem explícito No Batman, as cenas com o Coringa são insanas, perturbadoras e tensas, mas na hora do pega parece “Sessão da Tarde”. O estrago já foi feito na cabeça da rapaziada. Aliás tem muito adulto mal informado levando a piazada pro cinema achando que o filme parace com os Batmans do Joel Schumacher. Dá-lhe psicólogo depois. Voltando ao lado negativo do filme… Que diabos é a voz do Christian Bale quando está mascarado? Constrangedora demais. Pior que no primeiro filme. A trilha sonora toda hora chama a atenção de modo negativo e no final não se lembra nem uma nota. Outro aspecto que poderia ter sido melhorado é a direção e a montagem nas cenas de ação, principalmente quando Batman sai na mão contra a bandidagem e a edição fica muito frenética. Não dá pra entender bulhufas do que ta acontecendo. Essa é a tendência do cinema de ação desde a trilogia “Bourne” (Supremacia Bourne, mais especificamente) onde o uso da câmera na mão e montagem frenética dá a sensação visual de documentário e aproxima mais o espectador da ação. Ok, tem algumas cenas fantásticas com esse recurso (como o pulo da janela em “Ultimato Bourne”) mas geralmente a montagem frenética incomoda a vista e quanto mais frequente elas são feitas mais descartáveis ficam e assim vão perecer como o efeito bullet time do “Matrix”. Em nenhum desses novos “Batman” tem uma cena sequer memorável no ponto de vista técnico. O diretor Christopher Nolan não tem nem a competência para isso e nem a intenção. Foi burocrático e correto o suficiente para o espectador lembrar e curtir o roteiro. Infelizmente é uma tendência não só em Hollywood, mas no mundo todo, diretores não se preocupam mais com o apuro visual, a elaboração de enquadramentos mais complexos, informações visuais sutis, simbologia visual e sonora, movimentos de câmera que tenham significado. Grandes mestres como Brian de Palma, Coppola, Scorsese, Spielberg, Ridley Scott vão assistindo o predomínio nas bilheterias de uma uma geração de diretores sem personalidade, com raras excessões. Christopher Nolan não é uma delas e “Batman – O Cavaleiro das Trevas” não é uma obra-prima. Ainda.

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