David Cronenberg e os Senhores do Crime

Inspirado pelo filmaço que acabei de assistir, “Senhores do Crime”, do genial diretor canadense David Cronenberg, resolvi fazer uma lista pretensiosa com seus 8 melhores filmes. Por que 8? Por que uma lista com 8 filmes soa como um filme do próprio Cronenberg. À primeira vista não parece fazer sentido. Depois você já não se importa com isso. Daí passa a fazer todo o sentido. Eu não vi nem 1/4 da filmografia dele mas o considero um gênio e um dos diretores-autores fodões do cinema.

Em ordem decrescente.

8 – Videodrome

7 – Scanners

6 – Gêmeos, mórbida semelhança

5 – Crash – Estranhos Prazeres

4 – Spider

3 – A Mosca

2 – Marcas da Violência

1 – Senhores do Crime

É possível que a lista mude na minha segunda lida. Mas dificilmente o primeiro lugar vai sair tão cedo. Eita filme bom. Parece uma sequência temática de seu filme anterior, Marcas da Violência, também com o Viggo Mortensen. Ambos falam, claro, da violência e questiona a origem dela e sua justificativa, se é que é ela tem e se ela pode ser boa também.
“Senhores da Violência” foi encomendado pela BBC para mostrar o submundo de Londres que envolve prostituição, contrabando, tráfico de drogas, imigrantes criminosos entre outros queimadores de filme para a imagem britânica. O roteiro é redondíssimo e a direção é extremamente elegante. Esse ano só vi elegância igual em “O Gângster”, do Ridley Scott. Aqui Cronenberg faz um trabalho brilhante em cima do roteiro quando orquestra cada detalhe do filme transformando todas as fórmulas conhecidas do cinema em algo tão digerível e discreto que nem percebemos coisas óbvias. As reviravoltas do roteiro, a construção, intenção e evolução dos personagens, a trilha sonora (ou ausência dela) e o grafismo da violência se dão de forma tão crua e sutil que atinge a “diegese perfeita” (termo que acabei de inventar) e tudo flui perfeitamente.
E como de costume, o diretor nos brinda com mais cenas que aparentemente ninguém dá nada mas ficam na história do cinema e na memória dos cinéfilos. A abertura climática e violenta e a já clássica cena da briga na sauna. Mas cenas fortes qualquer diretor gore consegue fazer. Cronenberg é especial por usar o vazio como forma narrativa. O que não é mostrado ou falado, além de servir de clima, não subestima a inteligência do espectador. Coisa rara hoje em dia, onde um filme quanto mais mastigado, menos faz pensar durante a projeção e principalmente depois. E Cronenberg não dá a mínima pro nosso conforto mental. Ainda bem.

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