O poder de um final

Como já disse Robert McKee no filme Adaptação, o segredo de um roteiro é surpreender no final. Você pode ter uma história ruim, um elenco ruim, diálgos ruins, mas faça um final surpreendente que você ganha o espectador (e Deus me livre se utilizar Deus Ex-Machina).

Essa fórmula aparentemente simples é geralmente mal utilizada, principalmente no cinema americano, onde uma onda a mesmice e a previsibilidade imperam, com raras excessões.

É o problema dos gêneros. Nem todos conseguem lidar com eles de forma inventiva. Tanto nos dramas quanto nas comédias a grande espectativa do final é se ele é triste ou feliz. Claro que cerca de 99% tem final feliz. Não por acaso. É o que dá mais retorno de bliheteria. Faz as pessoas se sentirem melhor e blablabla. Claro que Titanic é a excessão que confirma a regra. Mas mesmo nas ramificações de gêneros e possibilidades, as coisas ainda acabam se limitando. Por exemplo, numa comédia romântica o casal ou acaba junto (99,99%) ou acaba separado (0,01%). Num filme de terror ou o vilão-monstro morre no final (95%) ou triunfa (5%). Num filme policial ou o bandido se ferra (98%) ou escapa (2%). No pornô hetero, a mulher se fode (100%). Enfim, não estou defendendo os tipos de finais de filmes com menor porcentagem de ocorrência, pois até eles são previsíveis. Defendo aqui a terceira via. A dos finais com a dose certa de imprevisibildiade que vira do avesso as espectativas pois foge das opções esperadas de forma sutil como em “Os suspeitos” e o “Sexto Sentido” ou até mesmo deliciosamente exagerada, como em “Happy Feet” e “Morrer ou Viver” do Takeshi Miike.

Aliás todo esse discurso foi pra enfim falar desse filme. “Morrer ou Viver” tem, na minha opinião, o melhor final de filme que já vi. E olha que eu não devo ter entendido bulhufas da simbologia dessa cena. Se é que há alguma, claro. O filme é um embate entre a polícia japonesa, uma gangue chinesa e a yakuza no meio de campo. O começo do filme parece um trailer de 6 minutos viscerais que homenageia a matança de chefões no “Poderoso Chefão” só que atolado de ácido. O meio do filme lembra o “Fogo contra Fogo” do Michael Mann na forma que desenvolve os personagens e os envolve num caminho sangrento cada vez mais sem volta. Até então beleza. Nada de absurdo entre uma escatologia ou outra. Mas o final, bem… o final…

Lindo. Lindo.

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