O Ataque dos Clones!


Desde que eu me lembro como cinéfilo alfabetizado, ou seja, desde o dia em que vi o primeiro filme no cinema (E.T.), me gabo de ser uma pessoa bem informada e que se informa antecipadamente sobre os detalhes de qualquer filme que assisto. Diretor, ator, roteirista, estúdio, sinopse, prêmios, repercursão entre o público e a crítica, etc. Tanto que fico indignado quando na locadora, ao pegar um filme que já aluguei antes, o funcionário tem que dizer: “O senhor já pegou esse filme, vai levar assim mesmo?”. Pra mim é ofensivo, mas consigo imaginar gente desinformada e lerda que pega um filme repetido sem saber e reclama dos funcionários que não advertiram devidamente. Ou que pegam um filme que é uma bosta e briga por que não ter sido avertido. É gente que odiou simplesmente um dos 5 melhores filmes desse século até agora, Brilho eterno de uma mente sem lembranças (que um dia farei a devida homenagem aqui) por achar que o filme seria outro sucesso pastelão cheio de caretas de Jim Carrey. Enfim. Azar de quem de não se informa, é o que sempre digo.

Relato isso com certa paixão porque já fui traído pela minha própria arrogância. O ano era 2000. Estava ansioso para ver o então novo trabalho de Tim Burton, A lenda do cavaleiro sem cabeça (Sleepy Hollow). O filme estava já ha algum tempo no cinema (não em Joinville, claro) e, para minha surpresa, vi o título na locadora. Claro que estranhei a rapidez com que o lançamento aterrisou na loja. Pensei que poderia ser uma cópia importada talvez, pirata quem sabe. De qualquer forma agarrei rapidamente o título, corri pro balcão e levei pra casa. Quando o filme começou reparei que não aparecia nunca o Johnny Depp e nem a Christina Ricci. Tampouco o ambiente parecie “Timburtonesco”. Peguei a caixa e analisei com mais cuidado. A capa era bem escura com uma imagem estilizada de um cavaleiro sem cabeça e o título em destaque, porém sem indicar o nome do diretor e nem do elenco. Quando olho para o verso, percebo que peguei uma versão tosca da história feita por alguma produtora B, que agilizou a produção no embalo da notícia de Tim Burton no projeto e lançaram rapidamente para pegarem a onda do filme e lucrar com isso. Caí como um pato. Foi a minha maior vergonha como cinéfilo. E a única nessa categoria de burrada. Desde este episódio isso ficou mais forte em mim. Digo que hoje, a chance de eu me desapontar é zero. Sou um cara que me informo tanto sobre filmes que muitas vezes nem preciso assiti-los para poder discutir sobre eles. Já sei que filmes são bons e ruins sem precisar ve-los. Às vezes eles me surpreendem para o bem. Nunca para o mal. Isso me economiza uma barbaridade em ingressos e locações. Mas sei que muita gente não tem tempo, nem paixão para adquirir essa neura e acabam se decepcionando muito. Mesmo assim não existe ninguém minimamente normal no mundo que não goste de um filme sequer. Por isso as pessoas continuam assistindo filmes bons e ruins mesmo quando suas espectativas são destroçadas.

Existe um filão interessante na indústria cinematográfica de filmes baratos e rápidos de serem produzidos e lançados diretamente em video que vão na onda de blockbusters usando um título semi-homônimo (não sei o que a nova gramática diz dessa palavra), com história parecida, elencos desconhecidíssimos, restrições orçamentárias e técnicas aliadas a muita cara de pau.
É o caso da “The Asylum”, que começou como produtora de filmes trash e achou nesse filão seus próprios sucessos comerciais clonados como Transmorphers, Pirates of the Treasure Island, The Da Vinci Treasure, 18 Year Old Virgin e Snakes on a Train.

O produtor da The Asylum, David Michael Latt, ao ser questionado sobre a ética nesse tipo de produção, se defendeu dizendo que não tem a intenção de enganar ninguém. “Apenas quero que meus filmes sejam vistos. Outro estúdio pode fazer um filme com robôs gigantes, cujo lançamento coincida com o de Transformers, e chamá-lo de ‘Robot Wars’. Nós chamamos o nosso de Transmorphers,” justificou. Pode ser até que os filmes deles sejam melhores que os blockbusters que o inspiraram, mas para garantir sua satisfação, faça como eu: INFORME-SE!

Aqui vai o trailer de Transmorphers 2 – The Fall of Man

Ah, vai… não parece tãããããão ruim, né?

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