"O que eu aprendi", por Francis Ford Coppola


A revista Esquire tem uma sessão bem interessante chamada “What I´ve learned”, onde diversas celebridades soltam frases aleatórias sobre suas carreiras, experiências e memórias em geral. Gostei da do Coppola e traduzo livremente abaixo alguns trechos:

Quando eu tinha 16 ou 17 anos, Eu queria ser um escritor. Eu queria ser um dramaturgo. Mas tudo o que eu escrevia era fraco. E eu consigo me lembrar de adormecer chorando porque eu não tinha talento que eu queria ter.

Você já assistiu Rushmore (Três é demais, de Wes Anderson)? Eu era como aquele garoto.

Eu tinha vinho na mesa o tempo todo. Mesmo quando criança a gente podia tomar. Nós misturávamos com gengibirra ou soda.

Eu fiz algo terrível pro meu pai. Quando tinha 12 ou 13 anos, eu trabalhava no correio. E eu sabia que o nome do chefão do departamento de música da Paramount era Louis Lipstone. Então eu escrevi “Querido Senhor Coppola: Nós o selecionamos para escrever uma trilha sonora. Por favor venha para Los Angeles imediatamente para começar o serviço. Sinceramente, Louis Lipstone”. E eu entreguei de bicicleta. Meu pai ficou tão feliz. Então tive que contar que era mentira. Ele ficou furioso. Naqueles tempos, crianças apanhavam. Com cinto. Eu sei por que eu fiz aquilo: Eu queria que ele recebesse aquele telegrama. Nós fazemos boas que são ruins.

Pessoas acham que o pior filme que eu fiz foi Jack. Mas hoje, quando eu vejo os filmes que fiz, Jack é um dos melhores. Ninguém sabe disso. Se as pessoas o odeiam, elas odeiam. Eu só queria trabalhar com o Robin Williams.

Eu nunca fui desleixado com o dinheiro dos outros. Só com o meu. Porque eu acho que posso.

Eu tenho mais imaginação fértil que eu tenho talento. Eu cozinho idéias. É apenas uma característica.

Eu admiro muito pessoas como Woody Allen, que todo ano escrevem um roteiro original. É impressionante. Eu sempre quis poder fazer isso.

Fazer bem feito é ser abundande. Essa é minha tendência. Se eu cozinho uma refeição, eu cozinho muito e muitas coisas. Eu estava vendo um filme do Cecil B. DeMille noite passada baseado em Cleopatra e eu percebi quantas partes da história real ele deixou de lado. Muito da arte de filmar é fazer menos. Aspirar o menos.

Você tem que enxergar as coisas de acordo com sua expectativa de vida.

O final estava claro e Michael se corrompeu. Tinha acabado. Então não entendi porque quiseram fazer outro Poderoso Chefão.

Nunca assisti Os Sopranos. Eu não tenho interesse na máfia.

Alguns expectadores adoram ficar até o final das projeções e ver todos os nomes dos créditos. Estariam procurando parentes?

O que eu deveria fazer agora? Eu poderia fazer algo mais ambicioso. Ou menos. Melhor menos. Para mim menos ambicioso é mais ambicioso.

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