O problema do 3D

Tradução livre do texto do Charlie Wachtel para o site Film Cruzade

Custando cerca de 1 milhão de dólares para qualquer produção usar a tecnologia 3D, este formato está se equiparando ao espetéculo dos musicais dos anos 50. Nesta época os filmes não tinham tanta importância quanto seus números musicais. Se você já assistiu a estranha sequência de ballet de 14 minutos no final de “Cantando na Chuva” (1952) e se perguntou porquê aquilo não tem nada a ver com o enredo, então considere esse mesmo prospecto para o futuro do 3D e seu inevitável estrago para a narrativa. Roger Ebert se refere a essa sequência como o momento “onde o roteiro é suspenso” enquanto o co-diretor de Gene Kelly admitiu que era “uma interrupção do impulso principal de Cantando na Chuva”.

Debbie Reynolds and Gene Kelly in "Singin' in the Rain."

Debbie Reynolds e Gene Kelly em “Cantando na Chuva”.

Ontem a noite tive uma conversa com um casal de roteiristas de Hollywood sobre os efeitos que o 3D terá na indústria. Depois de um debate saudável chegamos a conclusão que não apenas o 3D vai prejudicar a qualidade dos filmes como será pior para os roteiristas. Tão difícil quanto fazer o espectador prestar atenção a nas cosias, será para os roteiristas adaptarem o que eu chamo de crescente “produficação” dos blockbusters por virem. Os roteiros não serão mais o sólido fundamento dos filmes.  No longer are scripts going to be the sturdy foundation for most movies. Ao invés disso se tornará algo menor que uma referência. Por tudo que sabemos, roteiros de filmes 3D no futuro (e assustadoramente no presente) seão apenas notas rabiscadas para apenas serem cravadas por escritores contratados.

Sabe para quem mais isso vai ser ruim? Os espectadores! Dá pra acreditar? Como se pagar pelo ingresso e pela pipoca não fosse caro o suficiente. Exibidores aumentaram os preços do ingressos do filme “Como treinar seu Dragão” em 8%. Quanto é muito? Bem, eles irão descobrir. Se você for com sua família ver um filme em 3d irá gastar cerca de 100 dólares. Em alguns casos isto é mais dinheiro que você gastaria para ver um jogo de Baseboll profissional. Mas podemos culpá-los? Não realmente. Apesar de tudo, o 2009 foi o ano mais rentável para o cinema americano da história. Agora as pessoas responsáveis por encher os bolsos de tanta gente têm que começar a ser mais meticulosas e pão-duras.  Não demorará muito para os executivos se coçarem para tentar cobrir as perdas em vendas de DVD.

O que é fundamentalmente alarmante à respeito do ajuste rápido da indústria para o 3D é o fato de muitos filmes serem lançados em 3D sem nunca terem sido rodados neste formato. Então, essencialmente, você está pagando por um produto que não é bem aquilo que é anunciado. Você acaba pagando cerca de 6 a 8 dólares a mais para ver um filme resolvido na ilha de edição que nunca foi concebido como 3D. É como se um vendedor de sorvete ficasse sem sabor de chocolate e colorisse o de baunilha com corante marrom e vendesse como se fosse chocolate. Não é a mesma coisa.

Filmes que pre precisam se converter para 3D depois de já filmados em 2D custam cerca de $100.000 por minuto de tela. Avatar é a excessão desde que James Cameron escolheu integrar a tecnologia 3D na filmagem. Cínico em relação a reação mesquinha da indústria de adaptar mais filmes 2D para 3D, Cameron lembra: “Depois de Toy Story, vieram 10 filmes horríveis baseados em computação gráfica porque todos acreditavam que o sucesso do filme se deu por causa da computação gráfica e não pelos seus bem escritos maravilhosos personagens.” Parece quee Cameron omeça a sentir como Einstein (depois da criação da bomba atômica).

James Cameron is starting to suspect that shooting Avatar in 3D set a terrible industry precedent.
James Cameron começa a suspeitar que filmar Avatar marca um terrível precedente para a indústria.

Então quem deve se preocupar com o 3D? Você adivinhou. Diretores. Parece haver uma grande preocupação por parte dos executivos dos estúdios ao contratarem os diretores e analisar a questão do 3d. Na negociação sobre realizar Transformers 3 em 3d, o infame Michael Bay teve uma atitude até que purista:

“Este processo de conversão sempre será inferior que rodar em 3D real. Estúdios acabam sacrificando o visual e usando o artifício por 3 dólares a mais por ingresso. Avatar levou quatro anos pra ser feito. Você não pode simplesmente cagar um filme 3d”.

Então, se James Cameron e Michael Bay ainda não estão tão convencidos do 3D, alguém vai se importar? O que dirão eles daqui a 5 anos? Só o tempo irá dizer. Neste interim, é importante considerar quem mais a mania 3D irá afetar (ou afundar). Cineastas independentes.

Como o alternativo vai se adaptar? Difícil dizer. Duro de acreditar que veremos uma versão 3D de “Preciosa” num futuro próximo apesar dessa situação hipotética pode certamente transformar-se em realidade. Enquanto alguns crêem que os independentes serão beneficiados por serem uma alternativa barata, eu temo que eles possam ser considerados filmes de segunda categoria.

É errado julgar 3D apenas como uma fase, ou como um mal. Existem tremendas possibilidades a serem descobertas através do 3D. Mas, como se apresenta agora, 3D está provando ser uma ameaça monstruosa tanto para o cineasta quando para o meio do filme. É hora de mais visionários tradicilonalistas tomarem uma posição e denunciar o atual caminho do 3D. James Cameron  foi incubido de engrandecer o cinema através do 3D. E agora ele está lutando para que o 3D não arruine o cinema.

  1. Quem será que vai fazer o primeiro longa 3D aqui no Brasil? Roberto Carminati?

  2. Aposto minhas fichas em um super filme da Xuxa em 3D nos próximo anos.
    Já o Carminatti demora tanto pra lançar um filme que quando resolver lançar um em 3D, o Avatar terá passado no Passado (piadinha emprestada do Steve Martin).

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