Teorias sobre Joaquin Phoenix

Dizem que Joaquin Phoenix voltará a ser entrevistado por David Lettermann dia 22/09. Muita gente está na espectativa de como será, já que entrevista anterior foi antológica (veja aqui). Recentemente lançou um documentário bizarro sobre seu ano de reclusão do cinema e tentativa de entrar na cena musical pelo hip hop. Nele ele consome drogas ilícitas, faz sexo com prostitutas, sai na mão com desafetos, canta um hip hop constrangedor, entre outras coisas. Ao que tudo indica esse “ano perdido” do cara foi um baita de um happening culhudo do maluco junto com seu cunhado Casey Afleck.

Algo da tradição do grande mestre Andy Kauffmann

E de seu discípulo mais talentoso, Sacha baron Cohen

Aqui vai o trailer da obra de Afleck e Phoenix:

Traduzi abaixo do site IFC uma reportagem interessante de Matt Singer sobre o documentário “I´m Still Here: The Lost Year of Joaquin Phoenix” e suas possíveis teorias dos motivos da realização.

Roger Ebert chama o filme de “um documentário doloroso”. Reuters chama de “uma brincadeira de entretenimento”. Então o que é o filme afinal? “I’m Still Here,” o filme de Casey Affleck sobre o ano bagunçado na vida de seu cunhado, o ator-que-quis-ser-rapper, Joaquin Phoenix, não chega no cinema até sexta, mas como as críticas que já saíram indicam, o juri ainda não captou a extensão de sua veracidade. Da parte de Afleck, o filme é 100% real. “Eu posso te dizer, não há truque nenhum. Nunca entrou na minha cabeça essa ideia até ouvir comentários sobre o filme”. Afleck declarou isso no Festival de Veneza.


Affleck não está sendo recatado. Ele está declarando: meu filme é real. Mas acreditamos nele? Como tudo em “Im Still Here”, o comentário de Afleck pode ser enganoso. Certamente soa dissimulado, uma vez que em um momento do filme o próprio Afleck entrevista um editor da Entertainment Weekly que fez uma reportagem sobre a possibilidade dessa coisa toda ser um trote elaborado. Eu vi o filme e eu ainda não estou certo onde eu me encontro no debate fato/ficção. Parece haver evidências que sustentam ambas teorias, e bastante que sugere que a verdade se encontra no meio disso tudo. Vamos olhar para cada teoria junto com sua evidencia e refletir.

POSSIBILIDADE #1: O filme é um autêntico documentário.

O QUE ISSO SIGNIFICA: Tudo visto no filme realmente aconteceu; Joaquin Phoenix teve um legítimo colapso entre 2008 e 2009; ele pensa que seu hip hop terrível é realmente bom, seu próprio cunhado escolheu documentar seu choro por ajuda ao invés de interná-lo numa clínica de reabilitação ou terapia.

EVIDÊNCIAS A FAVOR: O comportamento público de Phoenix durante o período tratado no filme incluindo a estranha aparição no programa de Lettermann; seu histórico de abuso de drogas; a reclusão de Phoenix do mundo do cinema desde o final de 2008; cenas como a qual Phoenix sai do palco durante um show de rap e repetidamente vomita no banheiro, que parece perturbadoramente real.

EVIDÊNCIAS CONTRA: Repetidas amostras da imprensa afirmando que o filme foi encenado (como do Entertainment Weekly quando Afleck é confrontado); o fato da Magnolia Pictures, a companhia que distribuiu o filme anterior de Phoenix, ter assinado para distribuir essa loucura também; a estranheza de Phoenix aprender a tocar guitarra, cantar e imitar Johnny Cash perfeitamente e ainda assim ser completamente incapaz de fazer hip hop; cenas, como a qual Phoenix fica irado com o mundo por ignorarem sua performance em Traídos pelo Destino (Reservation Road) enquanto aclamarem Leonardo DiCaprio em Foi Apenas um Sonho (Revolutionary Road), o que pareceu bastante encenado.

POSSIBILIDADE #2: O filme é uma obra de completa ficção.

O QUE ISSO SIGNIFICA: Todo mundo que aparece no filme aparece “como personagem” e ou declamam falas ou improvisam cenas escritas por Phoenix e Afleck, com uma conspiração da indústria cultural envolvendo grandes estrelas do mundo da música, cinema e televisão, todos trabalhando juntos para produzir uma pegadinha fonográfica para o público em geral; que o Joaquin Phoenix que aparece em “I’m Still Here” realmente faz uma das melhores performances da história do cinema.

EVIDÊNCIAS A FAVOR: Quando mostra nos créditos finais além de Phoenix e Afleck, os roteiristas do filme e de vários atores no elenco, como Antony Langon da anda Spacehof, que aparece como assistente de Phoenix; uma storyline conveniente que justifica muitas das infâmes aparições públicas de Phoenix conectando tudo com traumas de sua vida pessoal; a presença de muitas celebridades de Hollywood que talvez não concordariam em aparecer nesse filme se fosse um documentário de verdade.

EVIDÊNCIAS CONTRA: A extrema dificuldade de manter em segredo demandas de tamanho “projeto mamute”; as repetidas asserções de Affleck para a imprensa de que o filme é genuíno (dizer que é fake, de certa forma, faz de Afleck um mentiroso); cenas aparentemente não simuladas bebendo, fumando, cheirando mais momentos onde Phoenix parece genuinamente zureta demais para estar atuando; representações gráficas e aparentemente reais de funções biológicas humanas que só apareciam em filmes de John Waters até então, “Jackass” e pornô escatológico.

POSSIBILIDADE #3; É “BORAT”.

O QUE SIGNIFICA: Afleck e Phoenix (e talvez um número seleto de “personagens”) sabiam que o filme é uma farsa, menos o resto do mundo, incluindo celebridades aparecendo com elas mesmas como Ben Stiller e Edward james Olmos, crendo estarem em um documentário tradicional; Phoenix sacaneia um diretor o qual trabalhou 3 vezes junto apenas por exercício bizarro; ambos Phoenix e Afleck são mentirosos numa escala quase patológica.

EVIDÊNCIAS A FAVOR: A forma como o filme se assemelha com Borat não só pela estrutura mas também pelo conteúdo (a história de um estranho socialmente inepto importunando celebridades confusas; pessoas mostrando suas casas pobres; o uso de excrementos humanos; a presença de prostitutas “reais”; homens lutando nus); a pura logística de manter um segredo entre dois caras contra dúzias ou centenas de pessoas.

EVIDÊNCIAS CONTRA: Um final nada “Borat”; o fato de Phoenix não ser conhecido por seu bom humor e não ter feito uma comédia em quase uma década; a pouca ou nenhuma experiência que Afleck tem em improvisação e comédia confrontativa de trote, conseguir construir um dos melhores filmes da história de improvisação e comédia confrontativa justamente na sua estreia na direção.

POSSIBILIDADE #4: Começou como Borat mas em algum ponto do processo se tornou real.

O QUE ISSO SIGNIFICA: Phoenix e Affleck pensaram que seria genial sacanear pessoas fingindo uma aposentadoria e surto mas não preveram o grau de crença das pessoas; cenas do começo onde Phoenix alegremente abandona a carreira para perseguir seu sonho de hip hop são falsas; as cenas posteriores onde Phoenix finalmente sofre as conseqüências de sua decisão não são.

EVIDÊNCIAS A FAVOR: O filme parte dos excessos de uma celebridade para um tom mais sombrio e introspectivo na segunda metade; a loucura do comportamento de Phoenix contrasta com a boa vontade da midia em acreditar nisso; a reação de Phoenix por agir tão estranhamente no programa de Lettermann que parece infundada, mas muito suspeita.

EVIDÊNCIAS CONTRA: O fato de essa teoria exigir que acreditemos que Phoenix e Affleck são espertos o suficiente para criar algo dessa escala mas bobos o suficiente para não considerar suas ramificações; a totarl recusa de Phoenix de sair do personagem sob qualquer circunstância.

POSSIBILIDADE #5: Phoenix teve um colapso, então inventou o filme para cobrir seus traços.

O QUE ISSO SIGNIFICA: Phoenix usou toneladas de drogas, ficou louco, tentou se tornar o próximo Jay-Z, falhou e atingiu o fundo do poço. Quando finalmente se reergueu, viu a forma como ele estava sendo retratado na midia e sentiu uma oportunidade.

EVIDÊNCIAS A FAVOR: Minha esperança sincera que Phoenix não estava forjando seu mau comportamento por causa do filme “Two Lovers” somada a minha sincera esperança que Afleck não ficaria observando seu cunhado fazer coisas horríveis para si mesmo sem fazer nada.

EVIDÊNCIAS CONTRA: Phoenix, ator brilhante com ele é, não parece se preocupar com usa carreira (ou em ficar sóbrio) o suficiente para fazer alguma coisa tão friamente calculada; TODO INSTINTO DO MEU CORPO.

  1. Otimo tema, ótima tradução. Praticamente a Paris e Lindsday do cinema. Sabe-se que os genes da sétima arte foram todos sugados por você, eu não absorvo muita informação cinemática. Enfim, tadinho do Jojô.
    Na parte que escreves “(…) Afleck tem em improvisação e comédia confrontativa de trote, conseguir construir um dos melhores filmes da história de improvisação e comédia confrontativa justamente na sua estreia na direção.” – ‘um dos melhores filmes’ é relativo à essa joça que os dois fizeram?

  2. É, a tradução podia ser melhor.
    O autor do texto original quis dizer que esse filme é um dos melhores filmes da história dos filmes de improvisação e comédia confrontativa, e não como um dos melhores filmes da história (ponto).
    Já viu Borat? To fazendo meu mestrado sobre ele. Taí uma dica pra ti, que reclama de falta delas.
    Beijo

  3. Já e não gostei, rs. Sabe, que coisas à la ‘pegadinhas’ me dão um ruim, tipo como assistir Fabíola Bernardes entrevistando.

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