“Como Treinar o seu Dragão”

Não canso de soprar por aí minha admiração pelo Toy Story 3, provavelmente a melhor animação dos últmos anos. Vai ganhar o Oscar ( não que isso importe), mas depois de assistir Como Treinar o seu Dragão, nova animação da Dreamworks baseada no livro homônimo de Cressida Cowell, fiquei na torcida para ele então vencer o Oscar de melhor animação e o Toy Story 3 o de melhor filme e roteiro.

A diferença entre a Pixar e a Dreamworks (e outras concorrentes) está cada vez mais estreita. E felizmente estão nivelando por cima. A Pixar ainda tem um corpo de vantagem pela técnica e pelos seus roteiros adultos e genuinamente emotivos. Então quem não tem coelho, caça com lebre, certo (ou com um dragão banguela)?

A estrutura do roteiro de Como Treinar…, por exemplo, é bem batida. Hiccup (Soluço), rapaz diferente, rebelde e talentoso busca ser um viking matador de dragões para ter a aprovação do pai, grande guerreiro viking matador de dragões. Claro que ele vai descobrir um talento que não é bem o que ele e seu pai esperavam, mas no final seu talento vai salvar o mundo e mudar a forma como as outras pessoas mais ortodoxas vêem as coisas. Ele claro que vai precisar de ajuda para tal façanha. Seu rito de passagam para a vida adulta vai se dar com a ajuda de um dragão, Toothless (Banguela) que também não abençoado pela natureza (tem um “leme” da calda faltando) não consegue voar direito,  vai precisar de seu potencial algoz para sobreviver e voar. Simbiose clássica numa amizade entre opostos que têm que aprender a lidar com suas idiossincrasias. Mas funciona que é uma beleza quando bem feito, como nesse caso.

Tem influência clara de Procurando Nemo e Tá Chovendo Hamburguer, só pra citar fontes mais recentes. Para compensar a mesmice na narrativa, os produtores compensaram com muito coração. Pegaram uma fórmula fácil, mas contextualizaram a história no bravo mundo dos vikings, que caçam dragões com a frieza de hábito como pescadores pescam, o que por si já rende ótimas possibilidades de gags e cenas de ação.

Como treinar… me remete aquela frase de Godard “Não é de onde você pega as coisas, e sim para onde você as leva”. Tudo tem gostinho de já vi isso antes. Mas o filme pode se gabar de ter cenas espetaculares, diálogos inspiradíssimos, relação de personagens bastante críveis, honestidade e muito coração na forma de fazer seu emaranhado de deja vus.

As escolhas estéticas poderiam ser melhores em momentos mais sombrios e tensos, podendo ser menos infantilizadas. Mas até aí tudo bem, imagino que o público alvo da Dreamworks é umas duas décadas inferior ao da Pixar.

Interessante como resolveram as questões dos sotaques dos personagens. Pois uma coisa recorrente e meio irritante é ver em filmes hollywoodianos que se passam em outras épocas e universos o uso de sotaque britânico como se a pompa dele desse uma classe e legitimidade à representação desse mundo. É só lembrar de Cleópatra, Alexander, Tróia, Duelo de Titãs… (náuseas). Mas então como representar pela fonética universal em um universo nórdico (alguém conhece o sotaque viking??) que faz parte do passado e ainda misturado com lendas de dragões, cujos personagens são todos uns fanfarrões incosequentes? Fácil. É só utilizar a imponência do sotaque britânico, mas cair para os representates mais impávidos e dementes da terra da rainha utilizando o seu sotaque escocês! Mas, só em alguns personagens. Infelizmente os jovens tem sotaque americano. Felizmente Gerald Butler e Craig Ferguson estão inspiradíssimos, aparentando até estarem bêbados dublando, como bons escoceses. Ah, e tem de ver em inglês, claro. (Quase) Nada contra dublagens, mas uma sacada brilhante relacionando às palavras “pests” e “pets” no monólogo inicial e final do filme faz toda a diferença.

Parece uma coisa meio óbvia até, mas uma das fórmulas para se fazer um bom filme é você conseguir contar um história (ou cenas) sem apelar para o artifício da oralidade (Wall-E que o diga). As melhores cenas do filme são as de silêncio. A relação de Hiccup e Toothless  é retratada quase sem fala alguma (ainda bem que os dragões nesse filme não são falantes, cruzes). O balé cinematográfico desses dois seres que precisam um do outro para sobreviverem é tocante (a cena final é desconcertantemente forte). O silêncio entre pai e filho, quando o pai declara empolgado que agora que Hiccup é enfim caçador de dragões como ele agora devem enfim ter assuntos para conversar, é seguido de um silêncio constrangedor. Genial retrato do conflito de gerações.

É interessante também reparar na mensagem política-social. Os dragões são tratados pelos humanos como pestes apenas porque ao invés de tentar entendê-los é mais fácil atacá-los. E o dragão-rainha que obriga todos os dragões a alimentá-la constantemente pode até ser um libelo contra o comunismo fantasiado de monstro em filme juvenil, mas não chega a incomodar, asism como o comunismo também não. O filme tenta ilustrar que, assim como na vida real, tudo seria mais fácil se todos tentássemos nos entender, nos comunicar, nos respeitar. Mas claro que assim como na vida real essa lição só é aprendida da forma mais grosseira possível.

“Como Treinar o seu Dragão” Eu altamente recomendo!

Que venham as sequências!

  1. eu não keria ver esse filme no cinema, ms por sorte minha o meu ex insistiu e eu fui, e que surpresa maravilhosa! qdo terminou a sessão fikei triste por juiz de fora, na época, não ter um cinema Imax 3D, ou pelo menos um 3D pra curtir esse filme de uma forma especial!

    até o ano passado eu tinha preconceito com filmes de animação q não fossem da pixar (realmente não sei pq, ms tinha) e acho q foi esse filme q quebrou esse preconceito idiota.
    hj eu vejo q são nesses filmes q trabalham as cabeças mais criativas e inspiradas de hollywood, fazendo um trabalho orgulhosamente coletivo, de equipe.

    qdo o garoto fica aleijado de uma perna eu surtei, q idéia incrível e ousada para um roteiro, q clichês bem trabalhados!

  2. É isso aí, Wesley. Dá-lhe spoiler!
    COmeçaram as alas já?
    Abraço

    • Wesley
    • 16 fevereiro, 2011

    começam dia 21
    to procurando lugar pra ficar,
    ta foda
    conhece alguém q keira dividir ape ak?

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