Bansky e o Oscar

Traduzido livremente do site EW

As corporações gostam de controlar as coisas (está em sua natureza) e a Academia de Ciências e Artes Cinematográficas tem um jeito de pensar e agir exatamente como uma corporação: como uma força política organizacional da pompa e gosto de Hollywood. Mesmo assim ainda foi um pouco surpreendente quando a Academia mostrou suas garras para Bansky. Ele é o super secreto e misterioso mago fora da lei da arte das ruas. Ele é o infame grafiteiro britânico (e agora cineasta) que utiliza imagens pop como se fossem bombas cartunescas.

Grande parte do charme de Bansky é que ninguém sabe quem ele é. Um palhaço de guerrilheiro, um superstar underground que vive e trabalha nas sombras. Quando ele finalmente aparece em Exit Through the Gift Shop, o emocionante  documentário que ele dirigiu ano passado, é mostrado somente sua silhueta, como um assassino encapuzado em um programa policial de “Mais Procurados”.

Deve ser pelo menos o homem mais procurado no show business.

Mas a Academia não quer bem ele. Exit Through de Gift Shop é um dos cinco concorrentes na categoria Melhor Documentário e umas semanas atrás representantes de Bansky fizeram um simples pedido para a Academia. Eles disseram que se o filme ganhasse, Bansky gostaria de receber o prêmio sem revelar sua identidade. Isso pode significar que ele pode vestir um disfarce como uma máscara de macaco que dizem que ele usa em público. Ou, é claro, ele pode fazer alguma coisa ainda mais estranha.

O Oscar recusou seu pedido. Um diretor executivo da Academia, Bruce Davis, falou: “O cenário divertido, porém perturbador, é que se o filme vence e sobre 5 caras com máscaras de macacos no palco, todos dizendo: “Eu sou Bansky”, para quem diabos nós damos o prêmio?”

Quem diabos mesmo? O que os deuses da estatueta dourada fariam? Como a noite de premiação vai poder continuar!?! A palavra que Bruce Davis usou como desculpa é perturbador. Sim, é verdade que se Bansky ganhar pelo Exit Through the Gift Shop e cinco caras com máscaras de macaco subirem no palco para receber o prêmio será um momento esquisito e confuso que provavelmente todo mundo comentaria entusiasmado nos dias seguintes. Mas perturbador?? Eu suspeito que o que realmente perturba a Academia é o medo de Bansky ganhar o Oscar e de repente fazer do palco da cerimônia uma tela performática-eletrônica e poder fazer algo muito mais provocativo e ousado que aparecer no palco com máscara de macaco. Em um dos momentos mais divertidamente subversivos do Exit Through the Gift Shop, ele visita a Disneylandia e escala cercas para pendurar manequins com uniformes laranjas dos prisioneiros de Guantanamo com um capuzes pretos de carrascos em vários pontos estratégicos. As reações dos espectadores encarando aqueles corpos desfigurados enquanto o trem continua passeando pelo reino da fantasia, é impagável. É vintage Bansky: Um ultraje com mensagem, algo que você quase não consegue segurar a risada (ele trata seu didatismo como um brinquedo).

Sim, é o tipo de coisa que transforma patrocínios de TV ao vivo em geléia. Os produtores da transmissão dos prêmios da Academia provavelmente acham que se um potencial vencedor do Oscar é, por natureza, tão espontâneo e imprevisível que ninguém nem faz idéia quem ele seja, isso significa apenas uma coisa: Ele e incontrolável. E falta de controle significa… O que? Talvez outro momento como o mamilo de fora de Janet Jackson no Super Bowl (será que estão com medo que Bansky mostre o seu mamilo??). Ele não vão arriscar e Bansky, mesmo se vença, não vai aceitar seu prêmio. O acordo atual é que Jamie D´Cruz, o produtor do filme, aceite o prêmio por ele.

Você deve estar achando, e eu também, que a Academia está sendo muito grosseira e sem espírito esportivo com Bansky. Afinal de contas, caso Exit Through th Gift Shop realmente vença (eu acho que quem vai ganhar é o que menos merece, mas politicamente correto, Inside Job), ele simplesmente vai querer preservar o seu anonimato que é fundamental para sua mística como artista, ou botando em termos Hollywoodianos, sua marca. Ainda assim o que mais me aflige nessa decisão é como ignorante e injusta a Academia está sendo… consigo mesma. Os executivos da organização acham que estão fazendo controle preventivo, mas o que eles realmente estão fazendo é explodir uma rara oportunidade. Porque uma pequena dose de Bansky é exatamente o que Hollywood e a Academia precisam. É exatamente o que o médico receitou para curar uma cerimônia moribunda.

Bansky, de fato, tem se aquecido para a noite do Oscar. Rumores dizem que ele está atualmente em Los Angeles, e tem deixado sua marca em vários outdoors, incluindo esta do Charlie Brown com um cigarro e gasolina pintada na parede de um prédio incendiado e em ruínas na Sunset Boulevard. Eu não tenho certeza se essa imagem se qualifica como “perturbadora”, mas eu certamente considero showbiz inspirado.

Este é o lance com o Bansky. Ele pode ser um garoto malvado, mas péra lá! Ele só quer brincar, provocar e divertir. Essas campanhas da cerimônia do Oscar que mostra os dois apresentadores, James Franco e Anne Hathaway, brincando e improvisando seus ensaios para a cerimônia, dão um ar de uma “noite respeitável”? Que nada! Ao invés disso promete uma cerimônia mais leve, espontânea e divertida, que ninguém esperava. Mas se os produtores do show e a Academia estivessem realmente compromissados com o espírito da espontaneidade, eles teriam dado a chance de Bansky ser Bansky.

Quem sabe ele ponha fogo na noite.

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