George Lucas Contra-Ataca

Já pensou num filme que mistura Star Wars com Old Boy? O pessoal do Slick Gigolo já. E ainda fez um trailer falso pra mostrar como seria tal obra-prima potencial.
A trama é a seguinte: George Lucas, após o lançamento do Retorno de Jedi, encerrando a bem-sucedida trilogia, cogita fazer produções mais artísticas e menores. Então um dia ele é sequestrado e mantido em cativeiro por 20 anos (uma espécie de “Oh Dae-Lucas”). Um sósia toma o seu lugar e produz mais 3 detestáveis filmes. George Lucas escapa do cativeiro e vai buscar vingança. Junto com a princesa Leia, Chewbacca e o chinesinho do Indiana Jones e o Templo da Perdição, vão pra porrada contra os inimigos com direito a sabres de luz, lasers, reviravoltas, conspirações e… Spock!

Confira.

Se virasse filme de verdade eu assistiria fácil.

Futuros sucessos!

 

Existem dois tipos de roteiristas. Aqueles que escrevem profissionalmente e aqueles que escrevem de forma entusiasta. A semelhança entre eles só o fato de estarem registrados bonitinhos na Biblioteca Nacional, prontinhos para algum maluco querer se incomodar e produzir a joça no Brasil (por isso alguns são ditos de temática “universal”).

Esses quatro abaixo, claro, estão na categoria “entusiasta” e prontos para virarem clássicos.

 

 

– Guerra nas estrelas contra Chantagem Atômica

Um filme sobre a Guerra nas Estrelas, não aquela famosa franquia com ursos de pelúcia espaciais e terapia familiar, mas uma comédia sobre projeto militar dos EUA durante a corrida armamentista nos anos 80, e que muitos consideram o melhor blefe jamais orquestrado por uma grande potência, uma tacada de mestre que ajudou a quebrar a economia soviética. Uma espécie de Dr. Fantástico encontra Jogos de Guerra. Imagine Clint Eastwood como Ronald Reagan e Philip Seymour Hoffman (+ efeitos especiais e maquiagem) de Brejnev, Andropov, Chernenko e Gorbachov.

– There are places I remember

Um estudante de ciências de uma pequena cidade do Leste Europeu é obcecado por Beatles e inventa uma máquina do tempo para transportar sua bandinha de covers para 1960, antes dos quatro rapazes de Liverpool estourarem, para ganhar o crédito pela autoria das músicas, e em consequência, o sucesso mundial e o lugar na História. Problema: a banda se materializa exatamente na mesma cidadezinha distante, e com os recursos da época – é um longo caminho para o topo se você quer viver do rock’n’roll, principalmente para uma banda do Leste Europeu sem myspace. E enquanto isso, em Liverpool…

– Garbagemen

No futuro, uma epidemia vai contaminar toda a humanidade, matando bilhões – só alguns bilionários sobreviverão em bunkers. Quando voltarem, vão descobrir que os lixeiros, com sua famosa resistência a todo tipo de bactéria e substância tóxica, passaram incólumes pelo período de disseminação da doença. Agora eles é quem mandam, e lembram muito bem do tempo em que serviam os ricos sem ouvir um obrigado. Uma distopia em que você vai torcer para os opressores.

– Not Another Favela Movie

Uma comédia sobre o tráfico na linha de Todo Mundo em Pânico e semelhantes, com paródias de todos os traficantes e policiais que já apareceram na tela nas produções crimexploitation que caracterizam o que os jornais chamam, como se fosse um movimento vanguardista, de Retomada. Claro que vai ter a mesma tonelada de sangue, funk carioca e elenco desconhecido e barato descolado nos grupos de teatro da comunidade mesmo. Atividade!

 

Via O Esquema

Professor Sensako discorre sobre o Cinema 3D


Do sensacional Allan Sieber

Adeus, Peter Falk

If your mind is at work, we`re in danger of reproducing another cliche. If we can keep our minds out of it and our thoughts out of it, maybe we`ll come up with something original. (Peter Falk, 1927-2011)

Carta aberta de Darth Vader para a Time Magazine

 

A Time Magazine fez uma lista dos piores pais da ficção. O vencedor, com louvor, foi Jack Torrance (Jack Nicholson) em O Iluminado. Em segundo lugar Humbert Humbert, de Lolita. Concidência ou não, os dois piores pais da história da ficção estão em filmes do Kubrick…

Enfim, o que move esse post foi a carta aberta de protesto escrita pelo departamento de relações públicas do Império, reclamando do fato de Darth Vader, terceiro da lista, fazer parte de tal absurdo.

Abaixo a tradução livre da carta:

Querida Revista Time,

Em seu artigo escrito em 17 de Junho, você listou Darth Vader como o terceiro pior pai ficcional. O Império Galáctico leva muito a sério esses tipos de acusações. Tão a sério que, de fato, acusações similares de outros planetas normalmente acabam com a réplica de nosso canhão laser gigante. Entretanto, em sua sabedoria infinita, Darth Vader ordenou ao Departamento de RP que respondesse com a segunda maior arma conhecida pela humanidade: uma severa carta de reclamação. Então prepare-se, Revista Time, mas já saiba de antemão que seus escudos não podem repelir refutação dessa magnitude.
Primeiramente, como você define “pior”? Você está sugerindo que Darth Vader seria mal porque ajudou o Imperador Palpatine a matar todos os Jedis? Isso não é maldade. É ser apenas muito, muito bom no seu trabalho. Isso é trazer o equilíbrio para a Força, meu lustroso e impresso amigo.
Agora vamos resolver os atritos planetários do ar e discutir a questão Alderaana. Para os ignorantes, seqüestrar a Princesa Leia e explodir o seu planeta natal enquanto ela assistia poderia parecer um lance cuzão, mas ensinou Leia uma valiosa lição de vida: “Não seja seqüestrada.” Nos parece que se a Princesa Leia, Daisy e Zelda aprendessem essa regra fundamental, MUITOS supervilões poderiam canalizar sua energia em trabalhos muito mais produtivos.
Muitos pais nem se importam onde seus filhos estão, ou o que eles estão aprontando, não importa a hora do dia ou noite. Darth Vader não. Quando ele não conseguiu encontrar Luke, Vader despachou centenas de sondas espaciais para buscá-lo nos confins do espaço. Mesmo que o fato que Luke tenha recém se tornado o terrorista mais procurado da galáxia. Quase matou seu pai e explodiu 1,3 milhão de seus amigos e companheiros de trabalho. Essas são ações de um pai mal? Ele ainda foi visitar Luke no planeta de gelo, Hoth, para ver como ele estava no trampo, apesar da distância e do fato do clima lá ser um inferno para as suas partes robóticas.
Por quase 20 anos, Darth Vader nem sabia que tinha filhos. Você sabia disso, Revista TIME? Você descobriu isso em sua “pesquisa”? Mas ao contrário de muitos outros pais ausentes, no momento em que ele descobriu, ele assumiu responsabilidade por seu filho, mesmo afirmando para a câmera, “Luke, eu sou seu pai”. Ele nem pediu um teste de paternidade. O terceiro pior pai de todos os tempos faria isso, Revista TIME?
Você vai trazer à tona aquela história toda de “cortar a mão de Luke” agora, não vai, Revista TIME? É bem típico de você. Tão previsível. Cortar a mão de Luke foi, acima de tudo, a coisa mais bacana que Darth Vader já fez. Pense nisso: uma amputação rápida e relativamente indolor em troca de um mão ciborgue irada. Quem não faria essa troca? Você sabe o que dizem: No pain. No gain.
Não somente Darth Vader melhrou a vida de Luke imensuravelmente lhe dando a oportunidade de se tornar um ciborgue irado, mas também melhorou o acordo depois convidando Luke a entrar para os negócios da família: Controlar a Galáxia como pai e filho. Só em caso de você, Revista Time, não ter entendido, ele não o convidou para controlar uma firma de encanamento uma lanchonetezinha junto. Ele convidou para “CONTROLAR A PORRA DA GALÁXIA INTEIRA”. Então Darth Vader, o maior pai da história, queria dar ao seu filho poder e riqueza além do que podemos sequer imaginar, MESMO QUE SEU FILHO SEJA MEIO BABACA.
Claro, nós poderíamos falar também sobre como Darth Vader salvou Luke BA segunda Estrela da Morte, sacrificando sua própria vida ao arremessar o Imperador pelo fosso do reator. Ou como ele se tornou um fantasma da Força para que ele pudesse amável e constantemente (assombrar) vigiar suas crianças para sempre, mas não vamos fazer isso porque achamos que você já deve ter entendido a esse ponto, Revista TIME. Você entendeu, não?
Agora vamos vestir a outra versátil bota preta metálica no outro pé. Vamos falar de você, Revista TIME. Darth Vader NÃO É um personagem fictício. Ele já esteve em 6 documentários biográficos sobre sua vida. Há fotos sobre ele por todos os cantos. Ele até recentemente foi pra Disneilândia. Em quantos filmes você já esteve, hein, Revista TIME? Quantas aparições especiais em festas de crianças você já fez? Onde estão todas as fotos suas? Talvez VOCÊ seja o personagem fictício.
Em que você baseia esse artigo? Cadê sua evidência, empírica ou epistemológica? Que pesquisas você fez, ou estatísticas você realizou? Você ao menos fez uma votação por telefone ou algo assim? Não. Porque você é uma REVISTA. Você nem tem uma boca.
Por fim, o que te dá o direito de julgar pessoas, Revista TIME? Quantos pequenos bebês revista VOCÊ criou? Se limite a fazer aquilo que você sabe, que é vender meros 45 milhões de exemplares por semana.

Sinceramente,

O Império Galáctico.

Esse humor distópico de fan art me le fez lembrar de un quadro clássico do Robot Chicken, onde o senador Palpatine tem que lidar por telefone com o chorão do Vader após a destruição da Estrela da Morte.

30 Anos de Indiana Jones, ou Os Filmes Da Minha Infância

Esses dias comecei a participar de um meme sobre cinema, onde deveria, por 30 dias, citar um filme em alguma categoria específica. No terceiro dia de brincadeira me deparei com o seguinte desafio: Qual o meu filme favorito na infância? Achei que seria fácil.

Comecei querendo postar Os Goonies, mas percebi que este foi me cativando aos poucos, numa crescente até hoje e me fascinando mais ainda depois de adulto. Hoje gosto dele muito mais que a 20 anos atrás, por exemplo.

Então refleti sobre De Volta Para o Futuro, mas o efeito foi o mesmo. Vi 2 deles no cinema e não esqueço que no final do segundo já tinha o trailer do terceiro. Eu alucinei esperando a estreia. Mas só fui dar valor a série depois de adolescente (quando entendi enfim toda a confusão das viagens temporais).

Pensei sobre Curtndo a Vida Adoidado, que foi bem impactante também. Mas suspeito que eu gostava basicamente do terceiro ato do filme, o resto nem lembrava, até reassistir nas sessões da tarde da vida. Ainda hoje me interessa mais o final mesmo.

Quando lembrei de Exterminador do Futuro 2 tremi. Lembro de ter assistido no cinema em sua estreia e como eu absorvi cada frame de projeção maravilhado com os efeitos especiais, as cenas de ação, o carisma contagiante do Schwarza e ainda conseguiu passar uma mensagem arrepiante no final (O futuro desconhecido está no nosso caminho. Eu encaro ele, pela primeira vez, com alguma esperança. Porque se uma máquina, um Exterminador, pode aprender o valor de uma vida humana, talvez nós também possamos). Até hoje eu assisto umas 3 vezes por ano e não consigo gostar menos.

Decidi que seria esse. Com certeza seria esse. Ao procurar mídia para postar algo sobre ele me deparei com uma reportagem que fez mudar tudo: “Indiana Jones comemora 30 anos de seu lançamento”. Então, como em uma clássica reviravolta, o turning point final dessa empreitada, meu coração disparou como quando lembramos da sensação gostosa de ter estado apaixonado por tanto tempo e nunca ter sofrido por isso. Pelo contrário. O primeiro filme da série, Indiana Jones – Os Caçadores da Arca Perdida foi lançado no ano em que nasci. Claro que não o vi no cinema. Nem o segundo, de 1984, Indiana Jones e O Templo da Perdição. Mas para compensar eu aluguei esses dois filmes em VHS (legendados) tantas vezes quando criança que praticamente me ajudaram a aprender inglês e a ler. Quando lançou o terceiro, Indiana Jones e A Última Cruzada nos cinemas do Brasil, em 1989, foi uma loucura para mim. Lembro da minha empolgação pra assistir. Os dias não passavam. Eu não dormia direito. Tinha 8 anos de idade e um objetivo bem específico na vida: Assistir Indiana Jones no cinema. Lembro de ter chorado ao final da sequência inical, do jovem Indy no trem e nas cenas de reconciliação dele com o pai. Assisti de pé a sequência inteira onde o Indy perseguia canhões nazistas com seu cavalo e causa o terror para resgatar seu pai. A imagem final onde os heróis cavalgam contra o por do sol com a trilha sonora icônica enquanto subem os créditos parecem durar até hoje na minha retina. Eu queria ser arqueólogo por causa dele. Quando cresci um pouco e vi que arqueologia não é que nem nos filmes, então eu quis fazer filmes que mostrassem as coisas da forma mais emocionante possível. E até hoje quero (Steven Spielberg e George Lucas me levaram para o lado claro dos sonhos).

Esse sentimento de que um filme faz tanto parte da minha existência só pode ser chamado de amor. Claro que amei e amo outros filmes também. Mas só Indiana Jones durou por todas as fases da minha vida, desde que nasci, passando pela minha fantasia infantil, fome de aventura juvenil e razão da vida adulta, mas sempre sentindo um amor incondicional que alimenta minha alma e, ligando todas as fases da minha vida, faz sentir-me sempre jovem.

Tudo bem que tentaram estuprar a magia de Indy com um quarto e constrangedor filme. E tentam fazer um quinto pra sugar mais uns trocados e tentar rehonrar a franquia. Mas nada disso apaga o que se enraizou em mim.

Obrigado Steven, George e Harrison.

Pré-Estreia de “Sábado Que Vem”